segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Timidez na ótica da Psicologia

Conceito:

A timidez é um traço de comportamento verificado desde a infância e tende a se apresentar de maneira estável por toda a vida. Dependendo da reação da criança diante de pessoas e situações, elas são consideradas "Tímidas" ou "Sociáveis".

Partindo desse conceito, já se sabe que a timidez é verificada desde a infância. Se não estimulada com situações desconhecidas, uma simples timidez patológica pode se tornar uma fobia social grave, podendo bloquear a pessoa inclusive em contextos familiares.

Os concomitantes sintomas da timidez (o rubor, a gagueira, o tremor, o suor, etc) aumentam a emoção do indivíduo e obrigam-no a retrair-se ainda mais, muito embora a pessoa tímida pode, também apresentar atitudes inteiramente opostas que são maneiras de esconder a sua timidez como o exibicionismo.

INTROVERTIDO X TÍMIDO

Muitos consideram estas palavras como sinônimas uma da outra. Entretanto:
  • O Introvertido __ procura a solidão, o isolamento.
  • O Tímido __ não teme o contato social; ao contrário, ele deseja a companhia de outros. O problema é que ele se considera incapaz de manter uma relação social
COMPONENTES RECONHECIDOS NA TIMIDEZ
  • O Afetivo: Refere-se às emoções típicas experimentadas pelos tímidos nas situações sociais, como: ansiedade, confusão, embaraço e vergonha, acompanhadaspor sensações psicofisiológicas como tensão muscular, batimento cardíaco acelerado e um "aperto" no estômago.
  • O Cognitivo: Refere-se à excessiva atenção dada aos julgamentos dos outros. O tímido, por si mesmo, se autoavalia negativamente se perguntando ou se autodefinindo, por exemplo, com expressões do tipo: "Só disse bobagens.", "Todos estão me olhando e me avaliando.", " não gostaram do que eu disse (fiz).", etc. O tímido também tem um sistema irracional de convicções como: "Esta noite ninguém me notará, ninguém me achará interessante.".
Estes são os modos típicos de raciocinar das pessoas tímidas, e o resultado é uma acentuada inibição do comportamento que consiste em evitar ativamente os contextos sociais e se manifesta no olhar que se desvia, na sistemática recusa a encontros sociais e no isolamento em geral.
Tudo isso, evidentemente, pode prejudicar a formação de relacionamentos e a obtenção de objetivos acadêmicos e profissionais.
AS CAUSAS DA TIMIDEZ
  • Fatores Familiares: Incluem, por um lado, o divórcio dos pais, violências familiares e adoção por uma nova família e, por outro lado, aspectos ligados à relação entre pais e filhos, como uma atitude superprotetora ou excessivamente severa por parte dos pais (ou de um dos pais) ou a ausência destes.
  • Fatores Psicofísicos: Incluem, por exemplo, a inflexibilidade da própria timidez como "Sou assim mesmo, sempre fui tímido.", problemas físicos ou imaginários como acne ou obesidade, uma suposta carência de dotes atléticos ou sexuais, ou ainda o fato de haver sido vítima de sistemáticas violências (verbais, psicológicas, físicas ou sexuais).
  • Fatores Raciais: Por exemplo, o pertencimento a etnia minoritária.
  • Fatores Culturais: Por exemplo, a falta de uma cultura adequada.
Esses fatores podem ser considerados:

INTRAPESSOAIS ou INTERPESSOAIS
  • Fatores Intrapessoais: Referem-se aos estilos de pensamento que tendem a fazer com que a pessoa crie uma imagem negativa de si: Ela se culpa por tudo que não dá certo ou se sente estúpida, nervosa ou deprimida quando em companhia ainda que sem motivos.
  • Fatores Interpessoais: Dizem respeito à dificuldade de interagir ou manter conversas com os outros: a pessoa fica embaraçada e envergonhada em situações sociais e acaba por evitá-las totalmente.

COMO ENFRENTAR A TIMIDEZ
Muitos tímidos estão efetivamente empenhados em superar a timidez. A estratégia mais utilizada pelos tímidos e que que tem dado certo é a Extroversão Forçada.


A Extroversão Forçada consiste em obrigar-se a frequentar locais públicos e procurar a presença de outros. Os terapeutas tentam fazer o paciente aceitar seu próprio modo de ser, focando os problemas fundamentais que desencadeiam a ansiedade.
Os profissionais, em outro caso, podem ensinar a iniciar um discurso partindo de uma frase divertida, para que o orador estabeleça uma relação com as pessoas e não com um público anônimo.
Isso tudo, nada mais é que um treinamento para a pessoa descentrar-se e não se ver com seus próprios olhos, mas com os olhos dos outros que são, paradoxalmente, muito menos severo. Nenhum grupo social vê de forma particularmente negativa a pessoa que fica vermelha quando fala; embora os que enrubescem pensam que isso tem conotação negativa, isso não é verdade.
REFERÊNCIAS
PECONARA, Rossana. As máscaras da timidez. Revista Mente e Cérebro, São Paulo, n. 147, p. 26-31, abr. 2005.
TELES, Maria Luiza Silveira. Psicodinâmica do desenvolvimento humano: uma introdução à psicologia da educação. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2001. p. 168.

Um comentário:

  1. Nossa! Esse conhecimento é muito bom, muito bom mesmo. Não é todo mundo que sabe lidar com a timidez, e isso por falta de orientação. Aqui aprendi muito para essa relação conosco mesmo e com os outros que são portadores da timidez. Valeu Prof. Emilson!

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