sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Sustentabilidade da Educação em Quatro Pilares

     Depois de haver ministrado uma Formação Continuada para Professores no Município de Aliança sob o tema "A sustentabilidade da Educação em quatro pilares", em 1º de fevereiro de 2012, o Prof. Emilson Martiniano ministrou também uma Palestra para todos os Professores da Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio) da Rede Municipal de Ensino de Itaquitinga/PE a convite da Secretaria de Educação daquele Município que escolheu essa mesma temática.
     Muitos professores tem me procurado e solicitado o texto da palestra e da formação. Aqui todos podem ter a essência do tema publicado como subsídio para apoiar os conhecimentos ali ampliados. Desejo sucesso para vocês no exercício dessa grande missão: EDUCAR!


 O papel da Educação

    A educação deve transmitir de forma maciça e eficaz cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficar submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efêmeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos.

Uma visão prospectiva na Educação

    Não basta que cada um acumule no começo da vida uma determinada quantidade de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinidamente. É necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de atualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo em mudança.

Como a Escola deve estar organizada


    Para poder dar respaldo às escolas no século XXI, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida serão, de algum modo, para cada indivíduo, os pilares do conhecimento, os quatro pilares da educação:

•    Aprender a conhecer;
•    Aprender a fazer;
•    Aprender a viver juntos;
•    Aprender a ser.

Aprender a CONHECER

    Significa, nada mais, nada menos, “adquirir os instrumentos da compreensão”.
    Esse tipo de aprendizagem pode ser considerado, simultaneamente, como um meio e como uma finalidade da vida humana. Meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia para desenvolver as suas capacidades profissionais, para comunicar. Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir.

Peculiaridades do Aprender a CONHECER


    O aumento dos saberes que permite compreender melhor o ambiente sob os seus diversos aspectos, favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real, mediante a aquisição de autonomia na capacidade de discernir.
    É essencial que cada criança, esteja onde estiver, possa ter acesso às metodologias científicas. A formação inicial deve fornecer a todos os alunos instrumentos, conceitos e referências resultantes dos avanços das ciências e dos paradigmas do nosso tempo.
    Aprender a conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento.

Aprender a FAZER

    É preciso aprender a fazer para poder agir sobre o meio envolvente.Aprender a conhecer e aprender a fazer são, em larga medida, indissociáveis. Mas a segunda aprendizagem está mais estreitamente ligada à questão da formação profissional. Aprender a fazer não pode continuar a ter o significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, para fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa.

Saindo da noção de qualificação à noção de competência 

    Qualidades como a capacidade de comunicar, de trabalhar com os outros, de gerir e de resolver conflitos, tornam-se cada vez mais importantes. E esta tendência torna-se ainda mais forte, devido ao desenvolvimento do setor de serviços.

A relação: Qualificação X Competência 

    Substituem-se hoje, cada vez mais, a exigência de uma qualificação, ainda muito ligada à ideia de competência material, pela exigência de uma competência que se apresenta como uma espécie de coquetel individual, combinando a qualificação em sentido estrito, adquirida pela formação técnica e profissional, o comportamento social, a aptidão para o trabalho em equipe, a capacidade de iniciativa, o gosto pelo risco.
    A relação com a matéria e a técnica deve ser completada com a aptidão para as relações interpessoais.
    O desenvolvimento dos serviços exige, pois cultivar qualidades humanas que as formações tradicionais não transmitem, necessariamente e que correspondem à capacidade de estabelecer relações estáveis e eficazes entre as pessoas.

Aprender a VIVER JUNTOS

    Esta aprendizagem deve ser efetuada com o fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. É uma aprendizagem que representa, hoje em dia, um dos maiores desafios da educação. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violência que se opõe à esperança posta por alguns no progresso da humanidade.

Um conflito da história humana

    Muito naturalmente, os seres humanos têm a tendência a supervalorizar as suas qualidades e as do grupos a que pertencem, e a alimentar preconceitos desfavoráveis em relação aos outros. E é de lamentar que a educação contribua, por vezes, para alimentar este clima, devido a uma má interpretação da ideia de emulação.
    E para reduzir o risco, não basta por em contato e em comunicação membros de grupos diferentes.

O que fazer para melhorar a história desse quadro?

    Se o contato entre os humanos, membros de grupos sociais diferentes, se fizer num contexto igualitário, e se existirem objetivos e projetos comuns, os preconceitos e a hostilidade latente podem desaparecer e dar lugar a uma cooperação mais serena e até à amizade.
    A educação deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, e ao longo de toda a vida, a participação em projetos comuns, que parece ser um método eficaz para evitar ou resolver conflitos latentes.
    A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta.

Aprender a SER

    Esta aprendizagem é a via essencial que integra as três precedentes. Aqui, a educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Cumpre-lhe conferir ao ser humano a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessita para desenvolver os seus talentos e permanecer, tanto quanto possível, dono do seu próprio destino.

Como transformar o século na esfera da educação

    O século XXI necessita de talentos e de personalidades, mais ainda de pessoas excepcionais, igualmente essenciais em qualquer civilização. Convém oferecer às crianças e aos jovens todas as ocasiões possíveis de descoberta e de experimentação – estética, artística, desportiva, científica, cultural e social –, que venham completar a apresentação atraente daquilo que, nestes domínios, foram capazes de criar as gerações que os precederam ou suas contemporâneas.

Inovação: imaginação e criatividade

    Na escola, a arte e a poesia deveriam ocupar um lugar mais importante do que aquele que lhes é concedido.
    A preocupação em desenvolver a imaginação e a criatividade deveria, também, revalorizar a cultura oral e os conhecimentos retirados da experiência da criança ou do adulto.
    O desenvolvimento tem por objeto a realização completa do homem, em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: indivíduo,membro de uma família e de uma coletividade, cidadão e produtor, inventor de técnicas e criador de sonhos.
    Os tempos e as áreas da educação devem ser repensados, completar-se e interpenetrar-se de maneira a que cada pessoa, ao longo de toda a sua vida, possa tirar o melhor partido de um ambiente educativo em constante ampliação.

O pilar mais importante na sustentação da educação

    Cada um dos quatro pilares do conhecimento deve, entretanto, ser objeto de atenção igual por parte do ensino estruturado. Não há um pilar mais importante que outro. Um pilar que seja, que tenha sido retirado de uma estrutura, pode comprometer toda a obra em construção.
    As quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta.

REFERÊNCIAS

MARTINIANO, Emilson; SILVA, Maria José da. Análise e relatório de práticas de ensino. João Pessoa: UVA/UNAVIDA, 2009. 352p.

MARTINIANO, Emilson. Fundamentos teóricos e metodológicos da educação numa perspectiva pedagógica. João Pessoa: UVA/UNAVIDA, 2010. 79p.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E UNESCO. Educação: um tesouro a descobrir: Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação sobre o século XXI. 7. ed. São Paulo: Cortez – Brasília – DF – MEC/UNESCO, 2002.

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